Me conta se já rolou essa cena com você: dois colaboradores discordam, o clima muda e todo mundo olha para a liderança esperando o que vem depois?
É aí que a cultura de um time se revela.
A gente aprende cedo que discordar é visto como “criar problema”. Na escola, na primeira reunião de família, no primeiro emprego. Quem fala demais é visto como “quem atrapalha”. Quem aponta o erro é visto como quem não colabora.
E vale pensar se você realmente não traz só problema e esquece de falar da sugestão e da solução, tá? #BomSenso
Segurança psicológica não é permissão para tudo
Dar espaço para fala não quer dizer que o time pode falar qualquer coisa em qualquer tom. Isso não é maturidade, é falta de cuidado com as pessoas.
Segurança psicológica é saber que trazer uma opinião contrária não vai custar o seu lugar no grupo. É a diferença entre discordar da pessoa e discordar da ideia.
Na prática, isso aparece no tom. Um time maduro discute o dado, o prazo, a escolha. Não o caráter de quem trouxe a proposta.
O que muda quando o time pode discordar
Times que aprendem a discordar bem se comportam de outro jeito.
Eles ajustam a rota antes de o problema ficar grande e tratam o erro como informação, e não como ameaça.
Param de precisar de reunião de alinhamento pelo simples fato de as pessoas já saberem o que pensam umas das outras.
Aí vem aquela parada DIFÍCIL DE COMPRAR: confiança. Confiança não nasce de concordância. Nasce de saber que é possível dizer algo difícil e continuar sendo parte do mesmo time depois.
Como a liderança cria esse ambiente
Começa com quem lidera fazendo a coisa mais difícil e mais simples: perguntando antes de concluir.
Alguns movimentos que funcionam de verdade:
- Convida a discordância na hora certa. Pergunte o que ainda não fecha na proposta antes de todos já terem dito sim.
- Separe a ideia de quem trouxe a ideia. Assim o time aprende que criticar o plano não é criticar a pessoa.
- Agradeça o contraponto em público. O que a liderança valoriza em voz alta, o time repete.
- Cuide do tom de quem responde. Como a primeira discordância é recebida define quantas virão depois.
- Sustente a decisão depois de ouvir. Ouvir não é aceitar tudo. Decidir com clareza também é liderança.
A discordância que constrói
Existe uma diferença entre o time que engole o que pensa e o time que diz o que pensa com o objetivo de construir junto.
No primeiro, a maturidade é aparência. No segundo, a discordância é ferramenta de trabalho.
Eu falo bastante que o “nosso” engole o “meu”. Nossos gostos ficam para as escolhas pessoais, tipo a cor do seu sofá. No trabalho é sobre defender uma ideia, não o próprio orgulho. O resultado fica melhor do que qualquer um faria sozinho.
Discordar com respeito dá trabalho. Mas trabalhar em um time que sabe discordar dá muito orgulho.
Na sua última reunião, quanto do que você realmente pensava ficou sem ser dito?
Carol Drumond